7 tecnologias na construção civil e como avaliar sua utilidade

Conheça aplicações de BIM, impressão 3D, drones, realidade virtual, sensores e robótica, com critérios para contratar tecnologia que ajude a obra.

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Prédio em construção com gruas e guindaste contra o céu azul
Foto: PortlandAppraisalBlog (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

Tecnologia na construção civil vale a pena quando resolve uma dificuldade identificada: projetos incompatíveis, acompanhamento confuso, medição demorada ou tarefa repetitiva. Comprar uma ferramenta antes de definir o problema pode acrescentar custo e produzir informações que ninguém consegue usar.

As sete aplicações a seguir mostram o que cada recurso pode entregar e quais perguntas fazer na contratação. Elas têm graus diferentes de adoção e não precisam estar reunidas numa obra para que ela seja bem planejada. A escolha depende de escala, equipe, dados disponíveis e resultado esperado.

1. BIM para organizar e compatibilizar informações

BIM reúne processos e tecnologias de criação e compartilhamento de modelos digitais da construção. Não se limita a uma imagem tridimensional nem a um programa específico. O MDIC apresenta essa abordagem no contexto da Estratégia BIM BR.

Na prática, os modelos podem apoiar a coordenação entre arquitetura, estrutura e instalações. Um encontro inadequado entre tubulação e elemento estrutural pode ser identificado durante a compatibilização, desde que as informações pertinentes estejam modeladas e sejam analisadas.

Ao contratar, pergunte quais disciplinas serão incluídas, quem coordenará os modelos e como as alterações serão aprovadas. Defina também os arquivos e documentos que serão entregues. Ter acesso apenas a imagens dificulta aproveitar a informação durante a execução e a manutenção.

O modelo não elimina responsabilidade de projeto ou conferência em campo. Se uma informação estiver errada, desatualizada ou ausente, a apresentação digital continuará incompleta, mesmo que pareça detalhada.

2. BIM associado a cronograma e custos

As expressões 4D e 5D são usadas para aplicações que relacionam o modelo, respectivamente, ao planejamento do tempo e aos custos. O ganho potencial está em conectar etapas, quantidades e decisões que antes ficavam dispersas.

Uma simulação de sequência pode ajudar a identificar interferências entre equipes e momentos de entrega de materiais. No orçamento, quantidades extraídas do modelo podem apoiar a estimativa, desde que o escopo esteja correto e os critérios de medição sejam conhecidos.

É necessário manter preços, produtividade, perdas e demais premissas atualizados. A quantidade de um elemento não contém automaticamente frete, montagem, condições locais e todos os custos envolvidos na execução. Um orçamento associado ao modelo continua dependendo de análise profissional.

Peça uma demonstração com uma alteração hipotética: se o projeto mudar uma solução de fachada, quais quantidades, documentos, custos e etapas serão revisados? Isso mostra melhor o serviço contratado do que uma promessa genérica de economia.

3. Impressão 3D de componentes da construção

Na impressão de materiais cimentícios, equipamentos depositam material em camadas conforme um percurso digital. A aplicação pode envolver paredes e outros elementos compatíveis com o sistema e com o projeto.

A COBOD explica o funcionamento de seus equipamentos e distingue a etapa de impressão das demais tarefas da construção. Uma parede impressa ainda precisa ser integrada às instalações, esquadrias, cobertura e aos outros componentes previstos.

Por isso, um vídeo de impressão rápida não informa o prazo total para entregar uma casa pronta. Compare preparação do terreno, montagem do equipamento, fornecimento de material, impressão, etapas complementares, verificações e regularização.

Na proposta, peça identificação do sistema construtivo, responsáveis, comprovação de desempenho pertinente e condições de aprovação local. Pergunte como serão feitos reparos e modificações futuras. A existência de obras com a tecnologia em outro país não equivale à aprovação automática de um projeto no Brasil.

4. Drones para levantamento e acompanhamento

Drones podem produzir imagens de áreas extensas, coberturas e fachadas, conforme a operação permitida e os recursos do equipamento. Com planejamento e processamento adequados, os dados também podem apoiar levantamentos e modelos do local.

Defina o produto necessário: fotografias de evolução, vídeo, ortomosaico ou levantamento com precisão especificada são entregas diferentes. Uma fotografia aérea bonita não substitui um levantamento técnico quando o projeto depende de medidas e coordenadas confiáveis.

Ao contratar, confira as obrigações relacionadas à aeronave e à operação. O serviço de cadastro da ANAC remete às regras aplicáveis, inclusive as de telecomunicações e espaço aéreo. O DECEA reúne orientações sobre autorização de acesso ao espaço aéreo pelo sistema correspondente.

O terreno ser particular não elimina essas exigências. O operador deve avaliar pessoas próximas, obstáculos, privacidade e condições ambientais. Imagens ajudam a observar, mas não demonstram sozinhas a condição interna de uma estrutura nem substituem inspeções que exijam outros métodos.

5. Realidade virtual e aumentada para revisar o espaço

Na realidade virtual, o usuário pode explorar uma representação imersiva do projeto. Na realidade aumentada, elementos digitais são sobrepostos à visão do ambiente. As duas aplicações ajudam a discutir organização e percepção espacial antes de executar uma solução.

Para o cliente, isso pode tornar mais fácil compreender circulação, posição de móveis e relação entre ambientes. Para a equipe, pode apoiar reuniões e comparação de alternativas. A utilidade depende da fidelidade do modelo e do que será analisado.

Peça que a apresentação corresponda à versão em aprovação, com medidas e elementos relevantes. Iluminação simulada, texturas e vegetação podem criar uma experiência atraente sem provar desempenho térmico, acústico ou lumínico. Esses resultados exigem métodos de avaliação próprios.

Na revisão, anote decisões objetivas: deslocar uma porta, ampliar uma passagem, reposicionar um equipamento. Registre o que foi aprovado nos documentos do projeto. A experiência virtual ajuda a conversar; não substitui desenhos e especificações que orientarão a obra.

6. Sensores conectados para acompanhar condições

Sensores podem registrar temperatura, umidade, consumo e outras grandezas, conforme o equipamento. A conexão permite centralizar dados e configurar alertas. A questão principal é o que a equipe fará quando uma leitura mudar.

Um exemplo hipotético é monitorar consumo de água fora do horário de atividade. Um aumento inesperado pode motivar uma investigação. A leitura, sozinha, não identifica qual componente falhou nem dispensa inspeção.

Defina localização dos sensores, calibração quando aplicável, alimentação, comunicação e rotina de manutenção. Estabeleça quem acompanha os dados e como serão tratadas falhas de conexão. Sem esse processo, o painel pode continuar exibindo uma informação antiga como se representasse a condição atual.

Também esclareça propriedade dos dados, permissões de acesso, exportação e custo de assinatura. Se houver informação de pessoas, controle a coleta e o compartilhamento conforme a finalidade. Uma solução de monitoramento deve poder ser mantida depois que a equipe de instalação deixar o local.

7. Robótica para tarefas delimitadas

Robôs podem executar ou auxiliar atividades repetitivas, desde que a tarefa e as condições do canteiro sejam compatíveis com o equipamento. Um exemplo é o Jaibot, apresentado pela Hilti como sistema de marcação e perfuração semiautomática, orientado por planos digitais.

O equipamento atua numa parte do processo. Preparação, posicionamento, conferência de dados, manutenção e gestão de segurança continuam necessários. A automação pode reduzir determinada exposição e, ao mesmo tempo, introduzir riscos que precisam ser controlados.

Compare desempenho no seu contexto: quantidade de repetições, acesso ao local, preparação, interrupções e custo de mobilização. Uma aplicação vantajosa numa obra grande pode não compensar em poucos serviços dispersos. Solicite treinamento e critérios de aceitação, sem presumir que o equipamento corrige um projeto incorreto.

Como escolher o primeiro investimento

Comece descrevendo um problema mensurável. Pode ser o tempo para localizar a versão aprovada de um desenho ou a frequência de incompatibilidades encontradas durante a montagem. Registre a situação atual antes de comparar soluções.

Depois, teste um escopo limitado e avalie:

  • qualidade da informação entregue e facilidade de conferência;
  • tempo total, incluindo preparo e correções;
  • capacidade da equipe de operar e manter o recurso;
  • compatibilidade de arquivos e integração com o processo existente;
  • custo completo de licenças, equipamentos, suporte e treinamento.

As etapas do projeto arquitetônico ajudam a posicionar cada entrega na hora certa. Para acompanhar o impacto ambiental, relacione a tecnologia a escolhas verificáveis de materiais e soluções sustentáveis, em vez de considerar qualquer processo digital automaticamente sustentável.

Antes de ampliar o uso, confira se a ferramenta resolveu o problema inicial e se o resultado pode ser repetido pela equipe. Uma solução simples, bem incorporada ao trabalho, pode oferecer mais valor que um conjunto de recursos sofisticados sem responsável, rotina ou entrega definida.